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Vida outdoor, Ornitologia, Literatura Selvagem

Evolução das aves ratitas

 

Era uma vez, há muito tempo… Mas muito tempo mesmo! Há mais de 100 milhões de anos, existiam apenas dois continentes sobre a face da Terra: a Laurásia, situada principalmente no hemisfério norte, separada da Gondwana, no hemisfério sul. Ali na Gondwana havia uma espécie de ave voadora que foi a ancestral de todas as aves ratitas já existente. Essa espécie ficou isolada nos vários continentes que se formaram com a quebra da Gondwana (América do Sul, África, Madagascar, Índia, Austrália, Nova Zelândia e Antártica), e deu origem às diferentes espécies de aves ratitas que conhecemos hoje. Essa é a hipótese mais conhecida que aparece em vários livros textos de ecologia, biogeografia, zoologia e evolução. Seria isso mesmo?

Mas afinal, quem são as Aves Ratitas?

Quem não conhece a ema? O avestruz? Quem nunca ouviu falar do misterioso kiwi, ave noturna e soturna da Nova Zelândia. E quem nunca viu uma imagem de centenas de emus atravessando os campos áridos da Austrália? Pois bem, todas essas aves esquisitas, grandes, pernaltas, com pescoço longo em forma de S e com penas que mais parecem pelos (à distância, obviamente) compartilham um ancestral comum.

São poucas espécies de aves ratitas no mundo: duas emas na América do Sul (alguns consideram três espécies), a avestruz na África, três casuares (dois na Nova Guiné e um na Austrália), o emu da Austrália e as três ou quatro espécies de kiwi da Nova Zelândia (Figura 1). Além disso, ainda existiram as gigantescas aves-elefante da ilha de Madagascar (duas espécies extintas ainda no século XVII) e os moas (onze espécies extintas durante o século XIV) na Nova Zelândia.

Figura 1: Aves paleognata (A) avestruz; (B) ema; (C) ave-elefante – extinta; (d) inhambu; (E) casuar; (F) meu; (G) moa – extinto; (H) kiwi (Fonte Wikipédia exceto (B) foto de Augusto Gomes e (D) foto de Jarbas Mattos).

Figura 1: Aves paleognata (A) avestruz; (B) ema; (C) ave-elefante – extinta; (d) inhambu; (E) casuar; (F) meu; (G) moa – extinto; (H) kiwi (Fonte Wikipédia exceto (B) foto de Augusto Gomes e (D) foto de Jarbas Mattos).

As aves ratitas estão unidas por uma lista de caracteres anatômicos que não são vistas em outras aves: o osso esterno do peito sem a ‘quilha’ (estrutura que serve para sustentar músculos peitorais); os membros anteriores atrofiados ou ausentes; pernas e pescoço longos; penas pouco ‘desenvolvidas’, entre outras.

Todas estas aves juntas são ainda agrupadas com os tinamídeos da América do Sul (quarenta espécies de macucos e inhambus, aves muito parecidas às codornas domésticas, que são aparentadas as galinhas) e conhecidas como aves paleognatas (Palaeognathae). Alguns grupos fósseis do Paleoceno (entre 66 e 56 milhões de anos atrás), principalmente os litornitídeos (Lithornithidae), que tinham plena capacidade de voo, são considerados possíveis ancestrais das paleognatas. Há também os misteriosos e pouco conhecidos Palaeotis e Remiornis, paleognatas não voadores. Esses litornitídeos e Palaeotis e Remiornis foram encontrados na América do Norte e Europa, regiões que formavam a Laurásia, e não na Gondwana. É importante dizer que os tinamídeos não possuem várias das especializações anatômicas das ratitas, como o osso esterno do peito sem quilha, os membros anteriores atrofiados ou ausentes, pernas e pescoço longos, e as penas pouco ‘desenvolvidas’. Por outro lado, várias características anatômicas unem os tinamídeos aos paleognatas, sendo a mais representativa a formação dos ossos do palato (Figura 2).

Figura 2. Base dos crânios de aves neognata e paleognata com seus respectivos ossos (Fonte: modificado de http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APaleognathNeognath.png ).

Figura 2. Base dos crânios de aves neognata e paleognata com seus respectivos ossos (Fonte: modificado de http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APaleognathNeognath.png ).

Além destas características anatômicas, vários estudos moleculares agrupam as ratitas aos tinamídeos. Todas essas evidências caracterizam o grupo Palaeognathae como um grupo natural, isto é, que foi originado por um ancestral comum. No jargão da zoologia moderna, trata-se de um grupo monofilético.

Onde vivem as ratitas?

As aves ratitas possuem uma distribuição geográfica fortemente vinculada aos continentes derivados da Gondwana (Figura 3). Desde os tempos de Darwin esse grupo de aves pernaltas e não voadoras tem sido o palco e o pano de fundo para pesquisas que envolvem assuntos sobre biogeografia, a evolução da perda do vôo e do gigantismo, a importância da pedomorfose na evolução, e a controversa questão se as paleognatas são “primitivas” em relação às outras aves ou não.

Figura 3. Distribuição das aves ratitas nos continentes derivados da Gondwana. Em cinza as espécies extintas (ave-elefante em Madagascar e moas na Nova Zelândia). (Fonte: http://people.eku.edu/ritchisong/554images/ratites.gif ).

Figura 3. Distribuição das aves ratitas nos continentes derivados da Gondwana. Em cinza as espécies extintas (ave-elefante em Madagascar e moas na Nova Zelândia). (Fonte: http://people.eku.edu/ritchisong/554images/ratites.gif ).

Para entendermos a evolução destas aves, é preciso que tenhamos o conhecimento do fenômeno geológico chamado ‘tectônica de placas’.

“A moderna teoria da tectônica de placas vê toda a superfície da Terra – o assoalho oceânico e os continentes visíveis – como um conjunto de placas. Os continentes são partes espessas e menos densas de placas que afloram na atmosfera formando montanhas e que se afundam no manto. Em sua maioria, as fronteiras das placas estão sob o mar. As placas não avançam laboriosamente pelo mar… Em vez disso, toda a superfície da Terra é blindada, coberta por placas que deslizam sobre a superfície e às vezes mergulham por baixo de outra placa no processo conhecido como ‘subdução’. Quando uma placa se move não deixa uma brecha atrás de si… Ocorre que a brecha é continuamente preenchida por material novo que aflora das camadas profundas do manto terrestre e contribui para a substância da placa no processo chamado ‘espalhamento do assoalho oceânico’. Em alguns aspectos, a placa pode ser vista metaforicamente como uma esteira rolante ou uma escrivaninha de tampo escorregadiço” (Dawkins 2009) (Figura 4).

Figura 4. Modelo explicativo para o deslocamento das placas continentais (Fonte: http://geografiadilma.blogspot.com.br/2013/07/limites-de-placas-tectonicas.html ).

Figura 4. Modelo explicativo para o deslocamento das placas continentais (Fonte: http://geografiadilma.blogspot.com.br/2013/07/limites-de-placas-tectonicas.html ).

Quando ocorreu a separação da Gondwana?

Há 150 milhões de anos, Gondwana era a área que hoje corresponde a América do Sul, África e Arábia, Antártica, Australásia (com Nova Zelândia), Madagascar e Índia. Nesta paisagem perambulava o ancestral das aves ratitas, supostamente numa população uniforme. Foram encontrados fósseis de ratitas na Antártica, que na época era formada por uma floresta subtropical de clima ameno. Os ratitas vagueavam livremente pela Gondwana sem desconfiar que sua terra natal estivesse destinada a partir-se em pedaços separados por milhares de quilômetros de oceano. Quando as placas tectônicas que formavam a Gondwana se separaram, as ratitas foram juntas. Como a separação foi muito lenta, houve tempo para evoluírem separadamente em cada uma das massas de terra que formadas. (Dawkins 2009).

Figura 5. Representação dos principais eventos da quebra da Gondwana com base em evidências paleogeográficas; (*) datado entre 70-60 milhões de anos nas reconstruções alternativas. (Adaptado de Sanmartin e Ronquist 2004).

Figura 5. Representação dos principais eventos da quebra da Gondwana com base em evidências paleogeográficas; (*) datado entre 70-60 milhões de anos nas reconstruções alternativas. (Adaptado de Sanmartin e Ronquist 2004).

Entre 120 e 135 milhões de anos, as enormes massas de terra que seriam futuramente a a Índia e Madagascar, começaram a se separar da África e América do Sul. Há cerca de 110 milhões de anos a América do Sul começou a se separar da África. Há 84 milhões de anos, a Índia se separou de Madagascar e começou a se deslocar rumo norte em direção à Ásia (Figura 5).

Assim, foram criadas hipóteses sobre o parentesco de cada uma das linhagens de aves ratitas (ou hipóteses filogenéticas), sendo a primeira delas baseada principalmente na distribuição de 25 caracteres esqueléticos. Esta hipótese, formulada em 1974, propôs que kiwis e moas eram parentes próximos, e que eles estavam fora de um grupo que continha todas as outras ratitas como mostrado na figura abaixo (Figura 6). Um problema recorrente sempre foi como explicar a distribuição dos litornitídeos, Palaeotis e Remiornis.

Figura 6: Relação de parentesco (filogenia) prevista para as aves paleognata sob um modelo de especiação regida exclusivamente pela deriva continental. (A) a posição relativa dos continentes durante o Cretáceo Superior e Terciário. Massas continentais coloridas de acordo com a ordem de afastamento da massa da terra restante da Gondwana: África e Madagascar primeiro (cinza escuro; 100-130 Ma), seguido por Nova Zelândia (vermelho; 60-80 Ma) e, finalmente, Austrália, Antártida e América do Sul (verde; 30-50 Ma). Localidades fósseis de paleognata do final do Paleoceno e Eoceno são representados por círculos (espécies voadoras) e triângulos (espécies não voadoras). (B) Filogenia prevista de paleognata sob um modelo de especiação regido unicamente por deriva continental. (adaptado de Mitchell et al. 2014).

Figura 6: Relação de parentesco (filogenia) prevista para as aves paleognata sob um modelo de especiação regida exclusivamente pela deriva continental. (A) a posição relativa dos continentes durante o Cretáceo Superior e Terciário. Massas continentais coloridas de acordo com a ordem de afastamento da massa da terra restante da Gondwana: África e Madagascar primeiro (cinza escuro; 100-130 Ma), seguido por Nova Zelândia (vermelho; 60-80 Ma) e, finalmente, Austrália, Antártida e América do Sul (verde; 30-50 Ma). Localidades fósseis de paleognata do final do Paleoceno e Eoceno são representados por círculos (espécies voadoras) e triângulos (espécies não voadoras). (B) Filogenia prevista de paleognata sob um modelo de especiação regido unicamente por deriva continental. (adaptado de Mitchell et al. 2014).

Mas existe alguma coincidência entre as épocas em que os vários continentes se separaram geograficamente e as origens das diferentes linhagens de paleognatas?

 

Bem, afinal, se essas aves ratitas se moviam apenas por terra, pois eram supostamente incapazes de voar, suas linhagens devem estar presentes num tempo muito antigo, antes da separação de cada continente da Gondwana, ou no mínimo no período Cretáceo Superior. Os ancestrais dos moas e kiwis precisariam necessariamente existir naquela época (quando se deu a separação da Nova Zelândia), bem como os ancestrais das aves elefante de Madagascar (que também se separou da África e da Índia no Cretáceo Superior).

O isolamento precoce de África e Madagascar implica que a aves-elefante e a avestruz devem ser as mais antigas linhagens de ratitas. O grande problema é que os fósseis mais antigos de ratitas são provenientes do Paleoceno, ou seja, no máximo com 65 milhões de anos. Assim, a morfologia não consegue resolver todo o quebra-cabeça sobre a origem e evolução deste grupo de ave tão peculiar.

Atualmente, para reconstruir a história evolutiva de um grupo qualquer de organismos os biólogos usam não só as informações morfológicas, mas também as genéticas. Hoje existe tecnologia capaz de ‘ler’ o DNA (ou partes dele) de cada uma das espécies. Em geral, os organismos mais proximamente relacionados (aparentados) têm um elevado grau de concordância na estrutura molecular do DNA, enquanto que o DNA de organismos distantemente relacionados revela-se diferente. O DNA mitocondrial, por exemplo, acumula mutações ao longo do tempo, e assumindo uma taxa constante de mutação, fornece um relógio molecular para estimar as datas das divergências entre os vários DNA analisados. A filogenia molecular é o ramo da biologia que utiliza esses dados para construir uma “árvore genealógica” (os biólogos as chamam de árvores filogenéticas), que mostra a possível sequencia evolutiva de vários organismos.

Recentemente, biólogos analisaram os DNA mitocondriais de duas aves-elefante e realizaram análises filogenéticas, que revelaram que estas aves são os parentes mais próximos dos kiwis da Nova Zelândia e está distante da linhagem dos avestruzes. Foi também possível estimar a quanto tempo as duas linhagens (kiwis e aves-elefante) compartilharam um ancestral comum, contando-se as mutações que se acumulam no DNA. O resultado mostrou que essa ave ancestral viveu há 50 milhões anos. Este resultado inesperado contradiz fortemente com a hipótese de que a evolução das ratitas ocorreu devido à deriva continental e posterior isolamento de cada ave num continente específico. A nova árvore filogenética das ratitas apoia a dispersão destas aves, que só pode ter ocorrida pelo voo (Mitchell et al. 2014).

Nenhum estudo anterior sugeriu essa relação, provavelmente por causa das morfologias díspares, ecologia e distribuição dos dois grupos, kiwis e aves-elefante. Afinal, a ave-elefante era herbívora, diurna e gigante (talvez a maior ave que já existiu), enquanto os kiwis são onívoros, noturnos e cerca de duas ordens de grandeza menores. A ave-elefante mais se assemelha aos moas (também da Nova Zelândia), e análises de morfologia haviam sugerido uma relação estreita entre estas espécies. Os moas, restritos à longínqua Nova Zelândia, por sua vez, segundo as novas evidências moleculares, seriam mais aparentados aos tinamídeos (macucos) da América do Sul (que voam).

O processo de especiação por deriva continental não fornece uma explicação satisfatória para a estreita relação entre as aves-elefante e os kiwis. Madagascar e Nova Zelândia nunca foram diretamente conectadas, e as datas moleculares calculadas a partir dos dados genéticos sugerem que kiwis e aves-elefante divergiram após a separação da Gondwana. Em vez disso, parece que o ancestral comum das aves-elefante e kiwis foi provavelmente voador e capaz de se dispersar por longas distâncias. Essa hipótese é apoiada por um pequeno kiwi fóssil (batizado de Proapteryx) voador, que vivia na época do Mioceno (24 a 5 milhões de anos atrás) na Nova Zelândia.

A figura 7 abaixo mostra as ‘árvores filogenéticas’ resultantes das duas hipóteses conflitantes.

Figura 7. As filogenias das aves paleognatas baseadas em análises moleculares do DNA e na deriva continental. (A) a posição relativa dos continentes durante o Cretáceo Superior e Terciário. As massas continentais estão pintadas de acordo com a ordem de afastamento da Gondwana: África e Madagascar primeiro (cinza escuro; 100-130 Ma), seguido por Nova Zelândia (vermelho; 60-80 Ma) e, finalmente, Austrália, Antártida e América do Sul (verde; 30-50 Ma). Localidades fósseis de paleognatas do final do Paleoceno e Eoceno são representados por círculos (espécies voadoras) e triângulos (espécies não voadoras). (B) Filogenia prevista de paleognatas sob um modelo de especiação regido unicamente por deriva continental. (C) Filogenia paleognata como inferido no estudo de DNA (Figura adaptada de Mitchell et al. 2014).

Figura 7. As filogenias das aves paleognatas baseadas em análises moleculares do DNA e na deriva continental. (A) a posição relativa dos continentes durante o Cretáceo Superior e Terciário. As massas continentais estão pintadas de acordo com a ordem de afastamento da Gondwana: África e Madagascar primeiro (cinza escuro; 100-130 Ma), seguido por Nova Zelândia (vermelho; 60-80 Ma) e, finalmente, Austrália, Antártida e América do Sul (verde; 30-50 Ma). Localidades fósseis de paleognatas do final do Paleoceno e Eoceno são representados por círculos (espécies voadoras) e triângulos (espécies não voadoras). (B) Filogenia prevista de paleognatas sob um modelo de especiação regido unicamente por deriva continental. (C) Filogenia paleognata como inferido no estudo de DNA (Figura adaptada de Mitchell et al. 2014).

Assim, toda a nossa história da separação dos continentes e a posterior especiação das aves ratitas deve ser reavaliada.

Era uma vez, há muito tempo, mais de 50 milhões de anos atrás, logo após a derradeira extinção dos dinossauros, existia uma ave ancestral dos kiwis e das aves-elefante que podia voar. Essa pequena ave acabou ocupando nichos vagos deixados pelos dinossauros, desenvolvendo a herbivoria como dieta alimentar, pois os grandes mamíferos herbívoros ainda não existiam.

Estas novas descobertas sugerem que a dispersão pelo voo foi o condutor primário da distribuição de linhagens das aves paleognata. Isso explicaria também a distribuição geográfica dos misteriosos paleognata fósseis encontrados fora da Gondwana: os litornitídeos voadores na América do Norte e Europa e os Palaeotis e Remiornis (não voadores) na Europa.

 

Referencias:

Dawkins, R. 2004. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais. Companhia das Letras.

Mitchell, K.J. et al. 2014. Ancient DNA reveals elephant birds and kiwi are sister taxa and clarifies ratite bird evolution. Science 344, 898-900.

Sanmartin, I. e F. Ronquist. 2004. Southern Hemisphere Biogeography Inferred by Event Based Models: Plant versus Animal Patterns. Syst. Biol. 53(2), 216–243.

73 Comentários

  1. Muito elucidativo o seu texto, Marcos, meus parabéns! Como se vê, a morfologia resolve, mas apenas até certo ponto.

  2. Trabalhos com DNA antigo são sempre interessantes quando o cuidado com contaminação (como Noonan et al. (2005) descreveram para Ursus spelaeus) e o bom senso estão (como Woodward et al. (1994) Garstka et al. (2000) demonstraram) presentes. Eu me lembro de uma aula com Michael Knapp, na Universidade de Bangor, em que ele mostrou que era muito difícil superar a contaminação em restos de moa porque os ossos eram descartados com vários outros bichos usados como alimento e eram acessíveis a vários carnívoros e animais de estimação. Claro que, na época dessa aula, o trabalho de Cooper et al. (2000) já tinha sido publicado e, portanto, a obtenção de DNA de moa já tinha sido feita. Mas é impossível não ponderar o quanto desse DNA pode ser de kiwi no fim das contas.

    Um outro comentário que tenho que fazer quando o assunto é ratitas é o desafortunado destino que tiveram outras grandes aves não voadoras: os Phorusrhacideos, ou “aves-terror”. Sei que são tradicionalmente colocadas dentro dos Gruiformes (embora Suh et al. (2011) tenha sugerido que eles são na verdade grupo irmão de Eufalconimorphae), mas não consigo deixar de imaginar que destino essas aves teriam tido se tivessem surgido no Cretáceo e não no Cenozoico superior e tivessem tido assim a chance de sair da América do Sul. Só uma divagação.

    Cooper et al. (2000) Complete mitochondrial genome sequences of two extinct moas clarify ratite evolution. Nature 409, 704-707.
    Garstka et al. (2000) DNA Sequence of the Mitochondrial 12S rRNA Gene from Triceratops Fossils: Molecular Evidence Supports the Evolutionary Relationship Between Dinosaurs and Birds. (Não sei onde foi publicado. O artigo foi tão execrado que encontrá-lo na internet é impossível e só criacionistas adoram citá-lo)
    Noonan et al. (2005) Genomic Sequencing of Pleistocene Cave Bears. Science 22 (309), 597-599.
    Suh et al. (2011) Mesozoic retroposons reveal parrots as the closest living relatives of passerine birds. Nature Communications 2, n. 443.
    Woodwward et al. (1994) DNA sequence from Cretaceous period bone fragments. Science 18 (266), 1229-1232.

    • Samuel, sem dúvida essa é apenas uma peça na história. A ciência não para e nunca será definitiva. Não conhecia esse trabalho de Garstka… parece bem estranho… você tem uma cópia?

    • Marcos,

      Em realidade, conferi com meu antigo professor e o trabalho não chegou a ser publicado. Foi anunciado num simpósio (Graves symposium) e, após a denúncia de contaminação, o projeto foi abandonado. (A contaminação ficou clara porque a identidade entre as sequências obtidas e as sequências de peru contidas no Genbank era de 100%.) Theagarten Lingham-Soliar destrincha o episódio no segundo volume do livro The Vertebrate Integument

  3. Quando li o texto, a princípio me perguntei se talvez o processo de especiação não tenha sido necessariamente devido a deriva continental. Mas como se estas aves não voavam? No entanto considerando as evidências fósseis de que o ancestral dos Kiwis eram voadores e posteriormente evidencias moleculares sugerem que kiwis e aves-elefante divergiram após a separação da Gondwana, talvez a hipótese de que a dispersão se deu pelo voo seja mais plausível.Além do mais com a biologia molecular é possível estabelecer relações filogenéticas que vão além dos caracteres morfológicos considerando as variações ao longo do tempo. Não quero dizer que devemos aderir a um método moderno e descartar outro, pois como o Marcos disse a ciência nunca é definitiva, acredito que ainda descobrirá outros mecanismos para este tipo de estudo (filogenético).

  4. interessantíssimo , mostra que ainda temos muito a conhecer sobre a origem de vários animais. Acho fantástico a utilização de estudos geneticos em fósseis, é uma chave para vários mitos que existem na Biologia.
    Parabéns pelo texto Marcos!

  5. Ótimo texto Marcos.
    Análises como essa mostram como é importante o cuidado ao se fazer estudos comparativos morfológicos para a elaboração de hipóteses evolutivas. É claro que a morfologia comparada com especies ainda existentes é muito importante, mas análises que usam apenas essas evidencias podem muitas vezes estar sujeitas a erros, exatamente por considerar características derivadas como sendo ancestrais. No caso das ratitas, como você elucidou, a ideia de um ancestral necessariamente não voador levou à elaboração de uma hipótese evolutiva que geneticamente se mostrou bastante equivocada. Por todas as ratitas serem aves não voadoras pesquisadores eram induzidos a pensar que seu ancestral comum também apresentava essa característica, sendo assim aves presentes em continentes muito distantes não poderiam ser mais fortemente aparentadas que aves presentes no mesmo continente ou ilha. Mas como você mesmo disse “Estas novas descobertas sugerem que a dispersão pelo voo foi o condutor primário da distribuição de linhagens das aves paleognata”. Todo cuidado é pouco para a construção de filogenias baseadas apenas em morfologia comparada.

  6. Reconhecer e desvendar a história evolutiva é um trabalho fascinante, e ao mesmo tempo ingrato.

    Levantar a hipótese de que a especiação das ratitas começou ainda na Gondwana (ou durante sua separação), com um ancestral que desde os primórdios não desenvolveu-se para voo, é algo lógico se levarmos em conta a condição recente de certas espécies desse grupo com relação à deriva continental. Um próprio processo de divergência por deriva, e processos de adaptação local explicariam as primeiras diferenças inter populacionais, que poderiam ter ocorrido até mesmo na grande população da Gondwana. Com as barreiras geográficas cada vez mais acentuadas, culminamos em uma especialização mais visível para as diferentes espécies de ratitas que temos hoje em dia.

    Apenas por análises morfológicas podemos cometer diversos erros, por conta da falta de informações, comparações errôneas, e subjetividade do observador envolvidos. Não tenho aprofundamento suficiente para saber que técnicas são utilizadas para evitar esses problemas.

    E então utilizamos da biologia molecular, uma ciência recente demais, que ainda está se desenvolvendo e entendendo suas próprias bases. Uma das questões levantadas em alguns seminários da disciplina me levaram a entender que utilizar dois métodos distintos (marcadores diferenciados) para recolher dados moleculares, em teoria, pode nos causar o problema de encontrar duas árvores completamente distintas que, teoricamente, seriam possíveis. Sem contar com o problema citado pelo Samuel Chagas, sobre contaminação de amostras.

    As análises moleculares, por si só, criam uma séria rixa com a análise morfológica, pois desconsidera e até mesmo atesta contra fatores tidos como pontuais nas classificações. E acabamos com situações como a abordada no texto, que diz que a nova árvore filogenética das ratitas apoia a dispersão destas aves, que só pode ter ocorrida pelo voo.

    É um processo lindo, o de desvendar e tentar entender o passado. Porém volto a repetir que é ingrato. A ciência está sempre se desenvolvendo, e de aprimorando. Juntamos cada vez mais informações, pelos quais vamos desvendando e aprofundando pouco a pouco nosso alcance sobre o assunto. Especulando, testando e defendendo ideias. E acabamos em situações como as descritas no texto, tentamos encaixar as peças dessa pequena faixa do quebra-cabeça da evolução das espécies, que são as ratitas.

  7. Este texto me intrigou um tanto, mas depois fez sentido. Elucidando o que me confundia quando comparava os caracteres morfológicos.
    Por exemplo, as ratitas encontradas na Austrália e na América do Sul são as mais semelhantes, se comparado o fenótipo externo, porém são as mais distantes geograficamente. Então fiquei imaginando, será que foi uma evolução por convergência? Mas vi o mapa, que mostrava a presença dessas aves no que atualmente é o polo sul, o que me auxiliou nos meus pensamentos, sendo que essas espécies foram também as que se separaram a menos tempo, se comparado às outras ratitas.
    Surgiu também o caso da Ave-elefante, que na sua época habitava a ilha de Madagascar, ser mais próxima das espécies de Kiwi, que habitam a Nova Zelândia, do que dos seus parentes mais próximos GEOGRAFICAMENTE, o avestruz, segundo dados moleculares; o que mostra que a morfologia não é tudo, tem que haver um estudo conjunto, uma análise conjunta de dados morfológicos e moleculares.
    O que mais me deixou surpresa foi a hipótese de a dispersão dessas aves ter sido feita através do voo, uma vez que não imaginava que esta capacidade de voo estivesse presente em algum momento da história dessas espécies. Mas somente deste modo seria possível explicar a proximidade filogenética de espécies tão distantes geograficamente, sem considerar a tectônica de placas; o que foi corroborado com a descoberta do fóssil voador de um ancestral do atual Kiwi.

  8. Muito interessante. A princípio senti um leve choque com essas novas informações, que foi sendo atenuado com a continuidade da leitura. Faz sentido a suposição de que a especiação dessas aves se deu por dispersão através do voo. Entretanto, isso levanta outra questão. Uma vez que o ancestral das ratitas era voador, isso implica que a perda do voo ocorreu independentemente em todas as linhagens viventes do grupo. Quais seriam as características que o ancestral do grupo teria para que essa “coincidência” ocorresse? Pode ser que o ancestral fosse voador, mas que o processo evolutivo no sentido da perda do voo já estivesse encaminhado. Mas é mesmo muito difícil elaborar qualquer hipótese nesse sentido com a falta de registros fósseis mais antigos que demonstrem isso. Agora é torcer e esperar que se encontrem fósseis mais antigos desse grupo para que esse mistério possa enfim ser desvendado.

  9. Ótimo texto para divulgação científica para quem se interessa na área alem de Biólogos e estudantes de biologia. O texto prova que as certezas na ciência são delineadas pelas limitações tecnológicas e que a ciência e a tecnologia andam juntas. Além disso, os avanços na biologia são moldados interdisciplinarmente. Seu texto exemplifica bem isso, mostrando o uso de novas técnicas e a combinação de várias áreas do conhecimento para desvendar processos biológicos evolutivos. Pesquisas com técnicas mais modernas como análise de DNA serviram para mostrar que são necessárias para corroborar hipóteses ou mostrar suas falhas, criando a retomada de linhas de pesquisas. Acredito que muitos colegas, assim como eu, ficaram surpresos com a hipótese de que kiwis e aves-elefantes derivam de um ancestral comum voador e que suas características não foram apenas moldadas pela tectônica de placas.

  10. Texto bem explicativo, dá pra perceber como é difícil descobrir a evolução de qualquer espécie.

  11. A Ciência sempre está descobrindo algo novo e dentro destas inúmeras descobertas em relação aos fósseis sempre temos novidades. O fato do fóssil mais antigo das ratitas serem provenientes do Paleoceno (65 milhões de anos) implica que não haja mais possibilidade de encontrarmos outro mais antigo?. Mas supondo que não descubramos um fóssil de ratitas mais antigo do que o anteriormente citado, é possível determinar com exatidão todas as mutações de uma molécula de DNA?. Se a resposta para esta pergunta for sim, então em um futuro próximo teremos praticamente todas as árvores filogenéticas baseadas em caracteres morfológicos substituídas por dados moleculares?.

    • Talvez você esteja correta.

  12. Muito bom o texto, é importante o uso de métodos diferentes para tentar compreender a evolução que nem sempre segue o conceito da parcimônia.

  13. Abordagem muito interessante feita pelo texto, a partir de informações que nos permite ver mais vez que a utilização de vários parâmetros é sempre necessária dentro da biologia, seja para compreensão de evolução de habitats, alterações fenotípicas, ou o que se deseja analisar. A dificuldade em relatar sobre a especiação vêm tentando ser quebrada todos os dias por novos métodos científicos, e é de extrema importância.

  14. Este texto mostra a dificuldade da elaboração hipóteses usando como base apenas as analises morfológicas. Sem os estudos baseados em analises genéticas acredito que dificilmente a descoberta que o kiwi e ave-elefante possuem um parentesco próximo seria possível.
    Acredito que estamos em uma época que a sofisticação dos estudos filogenéticos leve a grandes mudanças nas filogenias conhecidas. E o que foi dito no texto aconteça de modo semelhante a muitos outros animais.

  15. Primeiramente, parabéns pelo texto. Eu, particularmente, desconhecia a hipótese de origem das ratitas. Achei super interessante a explicação da dinâmica das placas e separação do continente Gondwana relacionado com a distribuição e evolução das ratitas no mundo.
    Interessante também é observar que, cada vez mais, tem-se utilizado estudos com base molecular, principalmente na área da genética, para analisar fósseis e, então, descobrir as relações de parentesco entre os seres.

  16. Texto de leitura interessante.Nos faz pensar em quantos e quais aspectos precisam ser levados em consideração quando vamos classificar as espécies. E ainda assim, podemos chegar a conclusões que a princípio não fazem sentido se forem analisadas e comparadas com o que se conhece hoje.Nos mostra o quanto ainda temos pra aprender e que muitas vezes essa informação está guardada em um gene esperando pra ser lida.

  17. Texto muito explicativo, mostra como é complexo estudar a história evolutiva das aves, os dados filogenéticos e moleculares têm um papel muito importante para compreendermos, a história evolutiva e a relação de parentesco entre as aves de diferentes grupos.

  18. Por isto é fato que não se deve olhar apenas alguns caracteres para se poder estabelcer relações entre as especies, pois sao pequena diferenças que podem se julgadas para estarem dentro ou não do compartilhamento. E manter a interdisciplinaridade dos conteúdos tornam os conhecimentos bem mais amplo. Parabéns.

  19. Realmente, dados moleculares são fantásticos! Que bela “revira-volta” na tentativa de se enxergar a história evolutiva das ratitas! DNA mitocondrial é cheio de surpresas! Só fiquei com uma pergunta: quando se diz que o DNA mitocondrial só acumula mutações, consegue-se ver também através da análise dele, as mutações por deleção que podem ocorrer no genoma “normal”?

  20. Interessante texto, é mais um exemplo na ciência de como o poder contar com a informação de dados moleculares tem ajudado no avanço de pesquisas em diversas áreas da ciência, principalmente no que diz respeito a estudos filogenéticos de diversos grupos.
    Estas novas descobertas tratadas no texto que sugerem que a dispersão pelo voo foi o condutor primário da distribuição de linhagens das aves paleognata, o que permite explicar lacunas antes não preenchidas, como por exemplo a distribuição geográfica dos paleognata fósseis encontrados fora da Gondwana. Diante disso só fiquei com uma questão (inclusive já citada em comentários acima), uma vez que que o ancestral de ratitas era voador nos leva a deduzir que a perda do voo se deu independentemente em todas as linhagens viventes do grupo, pensar assim traz um certo “desconforto”, apenas uma observação, no mais muito bom o texto e a forma como foi abordado.

  21. A hipótese de especiação das ratitas pela deriva continental me pareceu muito correta, mas como podemos ver nesse texto, com o advento da tecnologia, os dados moleculares nos mostraram como a história evolutiva delas pode ter seguido um caminho diferente.

  22. Estudos morfológicos nos ajuda a compreender muita coisa, mas os estudos moleculares contribuem muito para saber a origem de tal espécie. Ancestral voador ou separação dos continentes? Parabéns pelo texto.

  23. Esse texto nos mostra que se tem muito a descobrir sobre a origem de muitos animais. Devemos tomar cuidados ao serem feitos estudos comparativos morfológicos para se levantar hipóteses evolutivas, pois apenas por analises morfológicas podem ser cometidos erros. Ao serem utilizadas também informações genéticas as respostas atingidas serão mais precisas.

  24. O texto retrata bem a dificuldade encontrada pelos cientistas em definir o a historia evolutiva dos animais, tendo em vista que necessário aliar vários métodos de estudo, para que se chegue a um resultado mais próximo do verdadeiro.

  25. Com esse texto é possível notar a importância do conhecimento sobre a tectônica de placas e genética além da paleontologia, morfologia e hábitos de vida para estudos evolucionistas. Com entendimento dessas áreas citadas se torna possível reconstruir a suposta história de uma espécie ou grupos.

  26. Houve uma quebra de expectativa muito grande quando se descobriu a idade do ancestral dos kiwis e das aves elefantes, isso causou uma reviravolta nas pesquisas. Eu só não entendi, como pelo critério da parcimônia essa hipótese foi tão bem aceita, pois a adaptação terrestre teria surgido várias vezes se o ancestral das ratitas fosse um voador!

  27. Texto muito interessante. A utilização de diferentes métodos para o entendimento da evolução é importante. As evidências moleculares é um desses métodos, que são importantes na comprovação de hipóteses, no que se refere ao parentesco entre os grupo, assim como o texto demonstra nas ratitas.

  28. Esse texto nos mostra o quanto a ciência vem evoluindo, a cada dia, com novas descobertas que auxiliam a desvendar lacunas que somente os estudos morfológicos não conseguiam responder.
    A análise genética traz novas hipóteses nunca antes imaginadas, como a hipótese mostrada no texto que as aves-elefantes são os parentes mais próximos dos kiwis da Nova Zelândia. Um estudo que combina análises morfológicas e moleculares de fósseis pode alterar a história de muitas espécies e grupos.

  29. É interessante observar que a cada dia histórias evolutivas e processos de especiação estão sendo cada vez mais consolidados com a ajuda de novas tecnologias. Mas ao mesmo tempo, estamos ainda distantes de qualquer informação extremamente precisa. Isso é fascinante e instigador!

  30. Gostei muito do texto. Eu fico me perguntando: Será que se houvesse vida em Marte, teria tanta variedade de espécies como na Terra? Porque lá, pelo que se sabe até hoje, nunca houve placas tectônicas e, elas são fundamentais para grande variedades de espécies endêmicas de cada continente. E, por falar em continentes, dizem alguns geólogos que, daqui a 250 milhões de anos, se formarão dois supercontinentes no hemisfério norte – a Pangeia e a Amnásia (https://youtu.be/uGcDed4xVD4). Será que ainda vamos estar aqui, e se estivermos, será que não teremos destruído toda a biodiversidade?

  31. Este texto é uma prova de que a ciência é uma busca incessante de acontecimentos e que não devemos nos acomodar com possíveis resultados.

  32. O avanço sistêmico da ciência e a aplicação de novos recursos e tecnologias trazem descobertas interessantes e respondem diversas perguntas que antes eram inconclusivas. A evolução das aves ratitas é um exemplo desse avanço cientifico. É interessante o fato que as aves ratitas possuírem um baixo numero de espécies em comparação a outras aves.

  33. Tentar decifrar as relações evolutivas sempre rende grandes discussões. Somente a genética ajuda a ter dados mais confiáveis sobre esse tema. Mas mesmo assim é um trabalho difícil para os cientistas tentarem decifrar as relações entre diferentes espécies, mesmo com a alta tecnologia de hoje. Parabéns pelo texto.

  34. O texto mostra a importância de utilização de mais de um método para a melhor compreensão da história evolutiva dos animais, deste modo teremos mais de um “ponto de vista”.

  35. Interessante as informações sobre a origem evolutiva das Ratitas e as relações de parentesco com os tinamídeos (Paleognatas). Mais interessante ainda é entender um pouco dos processos geológicos e a influência deste processo na história evolutivas das espécies.

  36. Muito explicativo o texto, e mais uma vez vemos um exemplo de como é importante usar mais de um tipo de informação (morfologia e genética) para estabelecer a historia evolutiva (ou pelo menos tentar chegar o mais próximo possível da realidade) de não só animais, mas qualquer linhagem.

  37. A história evolutiva apresenta muitas lacunas que são difíceis de serem explicadas pelos cientistas. Uma alternativa para tentar reconstruir a história evolutiva de uma espécie consiste na associação de informações morfológicas com informações genéticas. Estes métodos aliados tem ajudado na comprovação e refutação de hipóteses referentes ao parentesco entre os grupos analisados.

  38. O texto foi bem escrito e muito adicional. Muito interessante a hipótese de origem das aves ratitas. A questao da dinâmica das placas e separação do continente tem grande importancia mesmo na distribuição das aves. O texto aborda de forma bem clara como os estudos nos surpreendem e nos traz bastante novidades evolutivas, e ótimo texto para divulgação pra quem tem interesse nesta área de aves.

  39. As aves ratitas são mais um exemplo de como a biologia molecular e a genética podem ajudar na construção filogenética do grupo.

  40. Muito legal a pesquisa dos biólogos que analisaram os DNA mitocondriais de duas aves-elefante e realizaram análises filogenéticas. A biologia molecular tem se desenvolvido cada vez mais, muito legal isso. O mais legal é que o resultado foi inesperado e contradiz a hipótese de que a evolução das ratitas ocorreu devido à deriva continental !

  41. O texto é muito interessante e demonstra as duas hipóteses possíveis para a dispersão das aves ratitas. Em que uma delas se baseia na deriva continental e posterior isolamento das aves para os continentes, o que deixa kiwis e moas como parentes próximos e isolados de um grupo que continha todas as ratitas e a outra que se baseia na dispersão das aves pelo voo, demonstrado por dados moleculares.

  42. Interessante a relação da Evolução com o movimento das placas Tectônicas, e como o fato de que o ancestral comum das Ratitas ter vivido em Gondwana definiu a distribuição atual dessas aves. Ótimo texto, responde algumas questões que eu tinha sobre o texto “O ataque cardíaco do Chintã” , obrigada!

  43. Interessante como mesmo com tantas características diferentes das aves, as ratitas são consideradas do mesmo grupo. Isso nos faz pensar que montar relações filogenéticas não é fácil e exige muito mais do que aparências, como um estudo molecular, por exemplo. O mesmo acontece com os tinamídeos e os paleognatas. Meus parabéns para a explicação do fenômeno “tectônica de placas” e da separação da Gondwana, sendo ambos muito bem explicados e ilustrados!

  44. Interessante o texto! Estava convicta de que realmente foi a separação de placas tectônicas que ocasionou a especiação das aves ratitas, até ler o final, os experimentos que conseguiram contrastar com essa hipotése foram muito bem elaborados! Parabéns pelo texto.

  45. Muito bom o texto, linguagem muito boa para que todos possam entender de forma simplificada como que a deriva continental pode contribuir para que a especiação das espécies ocorra. Uma pena que nessa história, nem todo mundo sobreviva ás alterações ambientais, mas de forma ou outra, deixaram seus descententes para que nos maravilhemos com eles.

  46. É curioso o fato das aves ratitas atuais terem como ancestral aves voadoras, até porque, desde o surgimento das primeiras aves até a separação da Gondwana seria tempo suficiente para diversificação das ratitas pelo continente até a separação da Gondwana.Isso mostra como é complexo o processo evolutivo, com perda e ganho de caracteristicas.

  47. ótimo texto Marcos. Através dessa texto podemos ver o quanto é difícil a filogenia desse grupo. E não estamos nem perto de saber qual o motivo da especiação.

  48. O texto é legal porque mostra a importância de utilizar não apenas a morfologia, mas também a molecular para tentar resolver esses problemas de relações filogenéticas. Fiquei curiosa em relação aos fósseis encontrados na Antártica!

  49. Ótimo texto! Realmente pela grande diferença morfológica entre as aves-elefante e kiwis seria interessante repetir a coleta e análise dos DNA´s a título de verificar uma possível contaminação…

  50. Muito legal o texto, passa uma noção do quanto é difícil a filogenia desse grupo e como necessário analisar dados moleculares e não apenas a morfologia da espécie.

  51. Muito bacana o texto, mostra como é dificil e importante inferir a filogenia de um grupo analisando suas caracteristicas atuais, afinal, seria dificil pensar em uma dispersão pelo voo analisando os animais viventes. Mostra como existem mais vertentes ecologicas e historicas que devem ser levadas em conta.

  52. Professor, essa análise quebra algumas teorias e levanta outras. Teria sido o caso de um ancestral já terrestre, sem a habilidade de vôo amplamente distribuído, e após a divisão da Gondwana, as populações se especializaram em cada ambiente, gerando as diferenças por meio de deriva genética, ou o ancestral era um voador e somente após a separação houve migração, posteriormente sendo abandonada a capacidade de vôo devido ao alto custo da manutenção desse carácter, em vista de que nos novos ambientes ele já não seria necessário?

  53. As ratitas constituem um grupo importante para filogenia das aves, e no entanto, bastante controverso quanto as suas relações. O caminho de juntar informações morfológicas e moleculares com informações geológicas parece ser mesmo o melhor para se buscar uma hipótese mais “acertada”.

  54. Muito bom o texto para qualquer pessoa que tenha interesse em ornitologia e a biologia como um todo. De fácil leitura e divulgando mais sobre a biologia
    e a evolução que a permeia.

  55. Ótimo texto. Mostra como apenas análises morfológicas podem nos fornecer dados de facilmente podem ser mal interpretados ou até mesmo errados. Ainda existe muita tecnologia a ser barateada e melhorada no campo da genética e análise molecular mas isso não diz que não devemos nos esforçar ao máximo para unir os dois campos que se completam tão bem. Quanto mais informação melhor, não?

    As ratitas apresentam-se como um grupo onde é fácil de compreender porque esse tipo de erro ocorre. São tão discrepantes umas das outras (em certos lugares) que apenas com análise molecular que foi possível esclarecer como ocorreu sua evolução.

  56. Texto muito bom e explicativo, de leitura fácil e que causa interesse no leitor. Mostrando a impotância de se usar a tecnologia molecular e não apenas a morfologica, para chegar a relações filogenéticas mais parcimoniosas.

  57. Texto muito interessante. A utilização de diferentes métodos para o entendimento da evolução é importante. As evidências moleculares é um desses métodos, que são importantes na comprovação de hipóteses, no que se refere ao parentesco entre os grupos, assim como o texto demonstra nas ratitas. Após a leitura do texto fiquei me questionando: Será que se houvesse vida em Marte, teria tanta variedade de espécies como na Terra? Porque lá, pelo que se sabe até hoje, nunca houve placas tectônicas e, elas são fundamentais para grande variedades de espécies endêmicas de cada continente. E, por falar em continentes, dizem alguns geólogos que, daqui a 250 milhões de anos, se formarão dois supercontinentes no hemisfério norte – a Pangeia e a Amnásia (https://youtu.be/uGcDed4xVD4). Será que ainda vamos estar aqui, e se estivermos, será que não teremos destruído toda a biodiversidade?

  58. Ótimo texto, caracterizando as ratitas. É interessante observar como a biogeografia está amplamente ligada aos animais que abitam determinada região e como um assuntos conseguem auxiliar o estudo do outro. A identificação por caracteres moleculares, com certeza a sistematica molecular revolucionou a biologia e consegue desvendar mistérios que antes não tínhamos respostas. Saber que antes, algumas aves ratitas na verdade podiam voar é algo bem intrigante. Ótimo texto, que mostra como as teorias biológicas são alteradas com literalmente minúsculas descobertas, como a biologia molecular.

    http://www.ebah.com.br/content/ABAAABo7QAC/sistematica-molecular

  59. Ótima explicação sobre a influência do isolamento geográfico imposto pela separação da Gondwana na evolução das aves ratitas. Interessante também o uso de estudos filogenéticos combinados às análises morfológicas para determinar os “graus de parentesco” entre as espécies viventes. Bem esclarecedor o texto.

  60. Traçar a filogenia de um grupo sempre foi algo muito complexo.Análises bem feitas levam em consideração diversas variáveis, como registro fóssil, morfologia, biologia molecular, comportamento, entre outros, que são utilizados para tentar traçar a evolução dos grupos. A teoria de que o ancestral das aves-elefantes e dos kiwis era um voador é bastante interessante e abre oportunidade para diversas perguntas como ” por que o voo foi perdido nesses grupos?” e “levando em consideração que o ancestral, sendo voador, poderia ocupar outros lugares, por que as aves-elefantes e os kiwis são encontrados em regiões relativamente isoladas e específicas?”.
    YINEZAWA T. , SEGAWA T., MORI H.. Phylogenomics and Morphology of Extinct Paleognaths Reveal the Origin and Evolution of the Ratites. Disponível em

    Ashtari Mota Piancastelli N1

  61. Esse texto é importante para mostrar mais uma vez que nem sempre podemos considerar apenas características morfológicas para revelar o parentesco de grupos de animais, pois muitas vezes considerando apenas esse ponto a relação pode ser equivocada, como foi o caso dos grupos, Kiwis e aves-elefante, não se imaginava que esses dois grupos que apresentam morfologia distinta, e ainda possuem uma distribuição diferente, seriam grupos aparentados. Essa descoberta foi possível com o estudo da biologia molecular desses grupos. Além disso, a biologia molecular também trouxe modificações na árvore filogenética das ratitas, mostrou que o processo de especiação por deriva continental deve ser reavalido, e com isso revelou que o ancestral das aves ratitas era voador, algo que era também mais difícil de se imaginar e que se torna intrigante imaginar. Sendo assim, é incrível perceber como o surgimento da biologia molecular tem modificado e contribuído muito para a determinação das relações evolutivas e de parentesco entre os grupos.

  62. Por meio deste texto, ficou claro mais uma vez que características morfológicas não são suficientes para definir relações filogenéticas dentro de um grupo, que neste caso, trata-se das Aves Ratitas. Se fosse baseado apenas nesse tipo de dados, jamais aves como os kiwis e as aves-elefantes poderiam ser grupos proximamente relacionados, se analisado, primariamente, a incrível diferença de tamanho entre ambos, além de seus hábitos alimentares e posições geográficas. Entretanto, por meio de dados moleculares que buscam analisar semelhanças entre o DNA dos grupos envolvidos, notou-se que kiwis e aves-elefantes são sim grupos proximamente relacionados. E o que explicaria, então, a diferença nas posições geográficas de ambos os grupos, é que certamente, eles possuíam um ancestral comum voador, que se deslocava voando por entre as diversas áreas de Gondwana. Quando houve a separação desse continente, o isolamento geográfico permitiu então que duas linhagens surgissem, sendo elas os kiwis e as aves-elefante. É interessante perceber como a sistemática molecular tem revolucionado cada vez mais relações de parentesco entre grupos, reconhecendo frequentemente aqueles dos quais há menos características morfológicas em comum.

  63. Muito bom o texto professor, é impressionante como a filogenia pode ser utilizada para revelar sobre o passado das espécies. Porém, nesse caso fiquei curioso sobre o ancestral comum dos kiwis e das aves-elefantes, existe algum registro físico ou teórico a respeito dele?

  64. Interessante o texto, e me fez pensar o quanto que as novas descobertas da ciência e tecnologia, tem contribuído para construir a história do passado. Novos métodos científicos são de extrema importância para continuar essa busca pelo conhecimento.

  65. parabens mais uma vez , pela dedicação , as pesquisas e pelo texto.Ele , na verdade , só reforça mais uma vez o fato que para estabelecer relações evolutivas entre especes, é sempre bons e para mais segurança , não focar somente em caracteres morfológicos mas também nas analises de DNA sendo que com a evolução da ciência é possível estudar Genoma.

  66. O texto nos mostra uma ótima informação a partir de um exemplo sobre como o isolamento geográfico pode ser importante para o evento de especiação. Também podemos ver através do texto, como a junção dos estudos filogenéticos e morfológicos são de extrema importância para determinar o grau de proximidade entre as espécies e também para responder algumas perguntar interessantes sobre o habito de algumas espécies.

  67. A evolução das aves ratitas nos mostram como diversos fatores podem estar envolvidos na especiação: capacidade da espécie voar ou não, separação geográfica e desocupação de nichos (com a extinção dos dibossauros, por exemplo). Dessa forma, percebe-se a dificuldade de construir uma filogenia fiel aos eventos evolutivos que ocorreram, sendo necessário a união de dados morfológicos com moleculares e até mesmo geológicos (como a separação das placas tectônicas). Assim, vemos como é importante a interdisciplinaridade, a união de diversas vertentes da biologia, para a construção de uma história evolutiva fiel. Achei especialmente interessante o uso da geologia, que apesar de não mostrar uma sequencia de acontecimentos cem por cento corretos para a construção da filogenia, fornece informações que são valiosas na contrução dela.

  68. As ratitas são conhecidas por suas características particulares, como o esterno sem quilha e membros anteriores atrofiados. Agrupadas com os tinamídeos (que não possuem tais caracteres), formam o grupo das aves paleognatas. Como o nome sugere, possuem uma origem bastante antiga, com distribuição geográfica muito vinculada ao continente da Gondwana. Após as hipóteses para seus parentescos, ficou bem claro que o isolamento dessas espécies não colaborou fortemente para a filogenia da sua linhagem, já que novos dados apoiam a dispersão por voo. É preciso citar o caso das aves-elefante e os kiwis, em que a especiação pela deriva continental não justifica as relações de parentesco entre essas espécies. Por fim, o texto nos mostra que somente com dados morfológicos não seria possível entender toda a evolução do grupo, sendo necessários dados moleculares e outras formas de estudo para compreender processos evolutivos.

  69. As aves ratitas (Paleognathae) constituem um grupo monofilético definido por características como osso esterno sem quilha, membros anteriores reduzidos e pernas e pescoços longos. Inicialmente, a hipótese para a evolução deste grupo era baseada na deriva continental que causou a separação da Gondwana nos continentes do hemisfério sul e em caracteres esqueléticos (morfológicos). Porém, dados moleculares postulam uma hipótese filogenética diferente.
    Este exemplo da evolução das ratitas nos mostra que nem sempre dados morfológicos nem sempre são suficientes para que se estabeleça uma hipótese filogenética satisfatória. Nestes casos, a biologia molecular pode se tornar extremamente importante, propiciando uma hipótese diferente e, talvez, mais parcimoniosa.

  70. Texto bastante informativo sobre as aves ratitas. Essas aves possuem características muito peculiares morfologicamente, o que desperta muito a curiosidade sobre a sua história evolutiva a fim de se entender como se deu tal processo, além de que vale ressaltar o texto também explica de forma clara e objetiva sobre o corpo do animal. Outro ponto interessante é a explicação de como o movimento de placas tectônicas foi capaz de influenciar na evolução dessas aves, fato este que possivelmente passa despercebido à quem lê esporadicamente sobre estes animais. Imagens claras e cladogramas presentes no decorrer do texto ajudaram na compreensão do processo evolutivo.

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