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Vida outdoor, Ornitologia, Literatura Selvagem

MARIA IGNEZ FEROLLA

TEXTO DE Fernando C. Straube

MARIA IGNEZ FEROLLA, nascida em 14 de maio de 1935, foi uma das personalidades mais importantes da Ornitologia mineira contemporânea. Desde 1984, ela se dedicou ativamente para a criação de uma agremiação que congregasse todos os ornitólogos do Brasil, o que culminou com a fundação da SBO (Sociedade Brasileira de Ornitologia), da qual fez parte do Conselho Deliberativo em duas gestões (1985-1989). Por muito tempo participou assiduamente de congressos de Ornitologia, ciência à qual se dedicava como pesquisadora, professora assistente da UFMG e colaborando com diversos estudos realizados nos anos 80 e 90. Dedicava grande parte de seu tempo à observação de aves, viajando para inúmeras regiões do Brasil e exterior, exercitando uma prática que, naquele tempo, era quase desconhecida. Como pioneira, divulgou o birdwatching em todo o país, agregando pessoas para a atividade e estimulando-as para pesquisas diversas com as aves silvestres. Contribuiu, dessa forma, com o núcleo mineiro do Clube de Observadores de Aves, do qual era sócia-fundadora. Também colaborou com a formação de novos talentos e pesquisadores, assim como com o desenvolvimento das pesquisas com avifauna em Minas Gerais e vários outros estados brasileiros, inclusive o Paraná. Tinha grande amizade com Helmut Sick, autor do clássico “Ornitologia brasileira”, para o qual ofereceu diversas anotações. Estava afastada da Ornitologia e dos congressos desde os anos 90, quando passou a se dedicar à cinofilia, mas ainda mantinha contato com diversos amigos oferecendo sua experiência quando requisitada (p.ex. na elaboração da lista da fauna ameaçada de extinção em Minas Gerais) e como filiada a entidades ornitológicas como o “The Neotropical Ornithological Society”. Durante o II Congresso Brasileiro de Ornitologia (Campo Grande, MS – outubro de 1992) proferiu uma palestra intitulada “A situação do COA Nacional e de alguns núcleos regionais”, relatando o estado de organização da agremiação no Brasil. Na obra do projeto “Biota Minas”, sua participação é assim lembrada: “Outro aspecto importante na ornitologia mineira, e quase sempre negligenciado, foi a  presença de um núcleo do Clube de Observadores de Aves (COA) no Estado, liderado pela ex-professora da UFMG, Maria Ignez Ferolla, e congregando estudantes de biologia e os mais diversos profissionais que tinham a observação de aves como hobby. O COA promovia saídas constantes por diversas regiões de MG, contribuindo de maneira decisiva para a consolidação da ornitologia fora da academia e para a popularização das aves junto ao público, divulgando a importância de se conservar os ambientes naturais. É importante ressaltar que o Clube, considerado uma entidade ambientalista, tinha assento junto ao Conselho Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, onde questões sobre o manejo das áreas naturais eram discutidas sempre levando em consideração a importância das aves”. Amável, solícita e educada, será sempre lembrada pelas pessoas que tiveram a oportunidade de com ela conviver. A comunidade de ornitólogos do Brasil prestam grata homenagem à querida professora, pelas lições que gentil e graciosamente ofereceu e pela sua trajetória em prol da disseminação da observação de aves e da evolução da Ornitologia brasileira. Faleceu no último dia de 2013 em Belo Horizonte (MG), após curta enfermidade.

Ferolla 2001

MARIA IGNEZ FEROLLA em sua casa em Lagoa Santa, 2001.

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Lagoa Santa (MG), cidade onde viveu Maria Ignez Ferolla (desenho de Álvaro Apocalypse)

 

 

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